segunda-feira, 18 de maio de 2015

Resenha - Montage of Heck (documentário sobre Kurt Cobain)


Quando entrei no colégio interno Dom Bosco em 1993, Smells Like Teen Spirit foi a música que acordou a mim e a todos no dormitório bem no nosso primeiro dia. Dias depois, assisti o clipe de Come as You Are no programa Kliptonita, e virei fã. 

Assim, assistir o documentário Montage of Heck tem um toque bem nostálgico para mim, ainda que praticamente não ouça mais Nirvana. Não só perdi o deleite com bandas simplórias e barulhentas desse estilo, mas me incomoda sobretudo o caráter autodestrutivo do Kurt, e sua mensagem caótica, desordenada, perturbada.


E devo dizer que fiquei perturbado com esse filme. Ele não se caracteriza por um formato padrão de documentários de rock, que se pautam por uma linguagem jornalística, objetiva, com entrevistas, etc. Montage of Heck tenta criar na tela a sensação de estar dentro da cabeça de Kurt. Daí as poucas entrevistas dão lugar a uma enxurrada de material de arquivo - imagens dos diários e dos desenhos do artista, seus rascunhos de música, gravações caseiras, fotos íntimas. 

Os vídeos do casal Kurt e Courtney são assustadores, parecem dois insanos, que não interromperam o uso de drogas nem quando estavam prestes a ter sua filha Frances (e que é a produtora do documentário).

Desde o início, Kurt mostrou os sinais de que iria seguir a máxima da canção de Neil Young: melhor queimar rápido que envelhecer aos poucos. Mesmo nas passagens de som, o vocalista já chegava berrando seus vocais característicos, sem preocupar com o show seguinte, com o dia seguinte. Não era alguém com senso de auto-preservação, mas apenas uma alma perturbada e intensa.

Os relatos de sua infância nesse filme me eram desconhecidos, e são igualmente sinistros. Contudo, não há descrição de outros momentos desoladores da vida do artista, como quando ele morou debaixo de uma ponte. 

A história de Kurt é o retrato de um jovem sensível em um mundo doente, que por não ter uma família por perto para lhe dar estrutura e rumo, preferiu saltar do abismo. Em um dos momentos de presença na sua vida, a mãe de Kurt implorou para que ele não se matasse e, assim, não entrasse no "clube dos idiotas". O triste é que ele já havia solicitado uma carteirinha de sócio faz tempo.

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