quinta-feira, 16 de julho de 2015

Os Discos Perdidos do Genesis


The Geese and the Ghost? Voyage of the Acolyte? Spot the Pigeon? Porque estes discos não constam na discografia official do GENESIS? Leia sobre os “discos perdidos” da banda, registros menos comentados onde se encontra material raro sobre a banda. E não se engane: há coisa de ALTÍSSIMA qualidade aqui.




Steve Hackett – Voyage of the Acolyte (1975)

O primeiro disco solo do guitarrista Steve Hackett soa como se fosse um oficial do Genesis, e não é para menos: além do “patrão” nos violões e guitarras, há a presença de Mike Rutherford nos contrabaixos e guitarras, e Phil Collins nos vocais e bateria – ou seja, é um Genesis sem o tecladista Tony Banks. Mas o line-up conta também com John Hackett (irmão de Steve) nas flautas, Sally Oldfield (cantando a obra-prima Shadow of a Hierophant) e outros.

Para este que vos escreve, a alcunha de disco perdido é pouco. Eu diria que Voyage... deve ser um dos mais belos discos de todo o rock progressivo.

Ace of Wands abre o disco com personalidade,
Star of Sirius é uma balada irretocável,
a já citada Shadow of a Hierophant é um épico inesquecível,
A Tower Struck Down é tensa e intensa,
as duas Hands of the Priestess são lindas,
The Hermit é uma viagem sonora,
The Lovers conta com o violão de nylon único de Steve.

As composições são repletas de lirismo, inspiradas, com performances poderosas de Hackett. As letras e temáticas são baseadas no tarô, e a capa (como várias da carreira solo do guitarrista) foi feita por sua ex-esposa, a brasileira Kim Poor.



Anthony Phillips – The Geese and the Ghost (1977)

Se pensarmos na sonoridade desse trabalho do ex-guitarrista da banda, este poderia ser um disco lançado pelo Genesis em 1971, logo depois de Trespass.

Afinal, Phillips foi o mentor da banda, e principal compositor, até deixa-los devido a uma síndrome do pânico e medo de palco, construindo assim uma carreira solo que, apesar de reclusa, não se encerra no progressivo, mas se compõe de um ecletismo marcante (em seus principais momentos solo, Phillips se marca tanto por trabalhos calcados no seu violão de 12 cordas quanto por peças que exploram timbres de sintetizador).

The Geese é seu primeiro disco solo, lançado seis anos após sua saída do Genesis, e desde a bela capa até uma audição rápida, percebemos uma predominância do lado mais “medieval” e lírico do som de sua ex-banda, calcado nas melodias pastorais, nos timbres, nas temáticas e letras.

Assim como em Voyage of the Acolyte, Mike Rutherford e Phil Collins marcam presença (este último cantando duas faixas maravilhosas). Um disco que não deve nada a qualquer outro do Genesis.

Em 2015, saiu a versão definitiva desse disco, remasterizada, contando também com um álbum extra repleto de raridades, demos, e faixas inéditas (como a bela Only Your Love, gravada em 1973, com vocais de Phil Collins), além de uma versão em DVD-audio 5.1. e um encarte recheado de fotos e textos. Este que vos escreve adquiriu essa preciosidade – portanto, aguardem uma resenha detalhada desse trabalho (e de outros do gênio AP)...



Genesis – Spot the Pigeon (1977)

Muitos fãs nem sabem que a banda lançou, em 1977 (e ainda contando com a presença de Steve Hackett, pela última vez) um EP de inéditas, chamado Spot the Pigeon. 

É neste pequeno disco de três músicas que percebemos de fato a transição do Genesis progressivo para a banda acessível de arena que se tornariam a partir dos anos 80. 

Se Inside and Out remete a belas faixas de discos como A Trick of the Tail (1976), Match of the Day e Pigeons são mais pop do que qualquer faixa dos posteriores And Than There Were Three (1979) e Duke (1980).



Mike Rutherford – Smallcreep’s Day (1980)

O primeiro trabalho solo de Mike Rutherford conta com uma banda de apoio de primeira linha, dentre eles o baterista Simon Phillips (Toto, Jeff Beck) e o excelente vocalista Noel McCalla (Manfred Mann’s Earth Band).

Mas a grande surpresa aqui é o eterno fundador do Genesis, Anthony Phillips... nos teclados! Sim, e o cara manda muito bem. Por sinal, ao lado das mudanças de andamento características do Genesis, são os ótimos teclados do Phillips que imprimem um forte DNA da banda de onde os dois músicos vieram. Apesar de que os timbres já tem mais a ver com os teclados do Genesis oitentista, em discos como Duke (1980) e Genesis (1983).

Sobre Duke, é interessante mencionar que, além de Smallcreep’s Day ter saído no mesmo ano desse trabalho da banda oficial de Rutherford, os dois trabalhos são assinados pelo mesmo produtor, David Hentschel. Por tudo isso, diversos fãs costumam comparar ambos em fóruns de discussão internet afora, e o disco solo parece angariar mais elogios do que o (bom) trabalho do Genesis.

O “lado A” do disco é tomado pela longa suíte que batiza o disco, baseada no romance do escritor Peter Currell Brown. Mas talvez pelo clima pós-prog da época, a contracapa do disco mostra a divisão de faixas da suíte, sugerindo que trata-se de faixas isoladas.

Between The Tick & The Tock  é uma bela introdução, com destaque para os teclados de Phillips.
Working in Line já apresenta o tom do lado mais pulsante desse disco, principalmente pelos violões de Rutherford.
Algumas vinhetas curtas, como After Hours e Smallcreep Alone costuram as faixas.
Cats and Rats lembra bastante Back in the NYC, do clássico The Lamb....
Out Into The Daylight é puro Genesis, remetendo aos instrumentais inesquecíveis da banda como Los Endos.
A suite conclui com At The End of The Day, um tema de melodia envolvente, talvez a mais notável do disco, e que lembra muito canções do Genesis como Afterglow.
O lado dois é mais fragmentado, mas mantém o nível:
Moonshine remete ao melhor da fase pop do Genesis.
Time and Time Again parece uma mistura de The Lamia com Many to Many.
Every Road remete ao clima de faixas como Entangled, do disco A Trick of The Tail (1976),
e Overnight Job conclui o trabalho com um resultado mais aquém, mas ainda assim interessante.



Steve Hackett – Genesis Revisited (1996)

Se o tributo que Hackett lançou em 2012, Genesis Revisited II, pretende interpretar as canções de seu antigo grupo exatamente como foram gravadas, neste primeiro trabalho, houve um esforço dele em rearranjar e reler gemas do repertório do grupo, como Watcher of The Skies, Firth of Fifth, e outras.

Porém, o que o faz figurar nessa galera de discos perdidos é a faixa Deja Vu, parceria de Hackett e Peter Gabriel da época de The Lamb Lies Down on Broadway (1975), que nunca havia sido lançada. 

Francamente, dada a beleza da faixa, é um enigma descobrir porque ela não entrou no disco duplo do Genesis. Uma peça notável.



Genesis – Calling All Stations (1997)

Há também uma infinidade de fãs que acredita que We Can’t Dance (1991) havia sido o canto do cisne do Genesis. Só que, após a saída de Collins em 1996, os obstinados Rutherford e Bohr...ops, Banks convocaram Ray Wilson para os vocais, e tentaram reativar o dinossauro com um disco de inéditas.

A iniciativa perde, se compararmos com toda a história da banda. Contudo, existem méritos na empreitada. A começar pela parte sonora, que parecia tentar unir o Genesis progressivo e o pop. 

Os vocais de Wilson remetiam bastante aos de Gabriel (no you tube, isso fica claro em performances dele na tour de 1997 e na sua carreira solo), e há momentos instrumentais até interessantes, como em The Dividing Line. Congo, Shipwrecked, e Not About Us são singles de responsa, acessíveis.

Mas em termos de popularidade, não funcionou – afinal, além do material não mostrar uma evolução em relação ao passado do grupo, Wilson era comparado com não apenas um, mais dois frontmans marcantes do rock progressivo. Não deu.



Genesis Archive 1967-1975 (CD 4) (1998)

Nessa caixa com 4 CDs, destacamos o último deles, totalmente composto por demos gravadas entre os anos de 1967 a 1970 (os dois primeiros CDs se compõem do disco The Lamb... ao vivo, e o terceiro de clássicos da banda ao vivo).

Nem todas as faixas são inéditas, há algumas faixas do debut From Genesis to Revelation (1969), além de Dusk, de Trespass (1970). Mas parece uma versão pouco lapidada do primeiro disco, composto também de faixas rápidas, sem muita relação com os longos instrumentais dos trabalhos a partir de 1971. 

Soam como se fossem um sub-Bee Gees, e vale mais como curiosidade. As canções Sheperd, Pacidy e Let Us Now Make Love foram gravadas para o programa Nightride, da BBC, em 1970.

No you tube, não se encontra o "Archives" completo. Contudo, este vídeo aponta para uma playlist onde é possível ouví-lo faixa a faixa.

Genesis – Twilight Alehouse/ Happy the Man (1972/73)

Estas duas faixas raras e bem legais da banda (já com a clássica formação Gabriel/Banks/Rutherford/Hackett/Collins) não saíram nos discos oficiais. 

Happy... saiu como single em 1972, enquanto Twilight... saiu como o lado b do single I Know What I Like, em 1973.  Você as encontra no CD 3 da caixa Archive 1, descrita logo acima.






Genesis Archive 1976-1992 (CD 1) (2000)


Mais um CD quase que completamente de faixas raras e inéditas, porém abarcando a fase mais pop do Genesis, liderada por Phil Collins.

Há a já citada Inside and Out, uma versão alternativa de I Can’t Dance, além de boas faixas como Paperlate (eu conhecia essa de uma coletaneazinha que eu alugava na época das locadoras de VHS. Pensar que alugávamos CDs... o que foi a revolução dos mp3, meu Deus!), Hearts of Fire, You Might Recall.

Há outras insuportavelmente pops como Do The Neurotic (apesar dessa ser instrumental), I’d Rather Be You, a onomatopeica Naminanu, Feeding the Fire.

Para quem não gosta da fase pop, corra desse CD como um vampiro do alho.


Nenhum comentário:

Postar um comentário